Os números levantados pela reportagem são públicos e constam no Portal da Transparência no site oficial da Câmara Municipal de Vereadores:
Um intenso debate político tomou conta de Três de Maio nas últimas semanas, trazendo à tona discussões sobre gastos públicos e a estrutura do Legislativo Municipal. O estopim foi a tramitação de um projeto de resolução da Mesa Diretora que previa mudanças na estrutura de assessorias da Câmara, garantindo paridade entre as bancadas conforme a representatividade eleitoral — modelo diferente do atual.
A proposta, no entanto, enfrentou resistência de um grupo de vereadores, que utilizou projeções de impacto financeiro para sustentar que o momento não seria adequado para ampliar cargos, mesmo sendo funções em comissão, passíveis de exoneração a qualquer tempo. A repercussão negativa nas redes sociais foi imediata, com a maioria das manifestações contrárias à reestruturação, levando a Mesa Diretora a recuar.
Na sequência, um novo tema passou a dominar o debate público: o volume de recursos gastos com diárias no Legislativo. Dados do Portal da Transparência apontam que, em apenas 15 meses da atual legislatura, foram empenhados mais de R$ 345 mil em diárias para vereadores, assessores e servidores.
Os números chamam atenção especialmente no caso de assessores comissionados, que receberam valores expressivos: R$ 23 mil, R$ 20 mil e R$ 18 mil, respectivamente. Servidores de carreira também foram contemplados, com justificativas ligadas à qualificação profissional, embora o volume total também seja considerado elevado.
Entre os vereadores, os dados mostram diferenças significativas. Ernane Weimer (PT) não solicitou diárias no período, enquanto Vanessa Sallapata (NOVO) utilizou apenas R$ 1.009,00. Já o presidente da Câmara, Delmar Mébius (PP), recebeu R$ 32,2 mil, valor justificado pela representação institucional do Legislativo.
Outros parlamentares também registraram gastos relevantes: Pato Roberto (PP) R$ 27,8 mil; Vera Killer (PP) R$ 20,8 mil; Alexandre Ott (PP) R$ 14,1 mil; Antônio de Oliveira (PP) R$ 13,2 mil; Diogo Wolf (PT) R$ 21,3 mil; Bertiê Konig (Republicanos) R$ 11,5 mil; Carlos Filipin (PDT) R$ 22,7 mil; e Paulo Pereira (PL) R$ 9,5 mil.
O tema ganha ainda mais repercussão diante da movimentação do vereador Carlos Filipin (PDT), que propôs um projeto para restringir o pagamento de diárias. A iniciativa prevê que os valores economizados sejam devolvidos ao Executivo, com destinação específica para zerar a fila de exames na saúde pública.
Outro ponto que gerou questionamentos foi o fato de bancadas que se posicionaram contra a reestruturação das assessorias, alegando aumento de despesas, somarem juntas — PP e PL — cerca de R$ 85 mil em diárias. Considerando apenas um assessor ligado à bancada do PL, que recebeu R$ 23 mil, o montante chega a R$ 108 mil. Outros três assessores comissionados somaram R$ 43 mil no mesmo período.
Diante dos números, o debate sobre prioridades no uso dos recursos públicos deve seguir em evidência no município, colocando em lados opostos argumentos sobre qualificação, representação institucional e responsabilidade fiscal.
















